A HISTÓRIA DA IBANEZ | Parte 1

By Gustavo Sá Fortes - 09:59


A Companhia Hoshino que originou a ibanez e até hoje administra a marca foi fundada em 1908 por Matsujiro Hoshino originalmente como uma livraria chamada Hoshino Shoten que vendia em geral livros e livros de partituras musicais.

Nessa época os instrumentos musicais eram vendidos principalmente através das lojas de varejo de editoras de livros musicais, uma vez que  para tocar as partituras você precisaria de um instrumento, logo fazia todo sentido. Matsujiro Hoshino foi substituído na presidência da empresa por seu filho Yoshitaro Hoshino. A partir de 1929 a Hoshino começou a importar para o japão as guitarras espanholas (violões) da marca Salvador Ibañez e Hijos, uma companhia estabelecida em Valencia.





 Em 1935 a Espanha passava por momentos políticos e econômicos difíceis que vieram a no ano seguinte resultar na guerra civil espanhola; por conta disso os carregamentos dos violões Ibañez Salvador não estavam chegando no Japão e os estoques da Hoshino estavam escassos. Por conta disso, a Hoshino decidiu investir numa produção própria de guitarras para abastecer o mercado japonês. Começou fabricando violões sob o nome Ibañez Salvador e depois, uma vez que já havia comprado os direitos da marca da empresa espanhola, reduziu o nome para somente Ibanez. As fábricas da Salvador Ibañez na espanha foram completamente destruídas durante a guerra civil, e foi assim que definitivamente a Ibanez se transformou numa marca japonesa.

E durante este período que vai de 1929 até 1939 a produção da Ibanez se fixou em continuar fabricando os mesmos modelos clássicos de violão que a Hoshino "herdou" da Ibañez Salvador para abastecer o mercado japonês e também para os mercados asiáticos vizinhos, o que mostra um detalhe importante da história da ibanez que é a importação de seus produtos que a Ibanez faz desde seu começo como marca.

Mas a história dá uma reviravolta com o evento que mudou tudo: a Segunda Guerra Mundial !


É sabido na história dos instrumentos musicais que durante a guerra em praticamente todos os países que participaram dela que a fabricação de instrumentos e de vários outros artigos que não eram de primeira necessidade foram interrompidos; mas os eventos de durante a guerra não tiveram uma influência tão direta no destino da Ibanez como os eventos que se seguiram após a Grande Guerra.

Três fatores foram fundamentais para estabelecer o caminho pelo qual a ibanez iria seguir nas próximas décadas. Por um lado os eventos que levaram à guerra e os seus subsequentes estragos tiveram um grande impacto sobre os destinos da família Hoshino e o seu triunfo com as guitarras ibanez; todas as fábricas existentes foram destruídas e todos os 04 filhos de Yoshitaro Hoshino serviram na guerra, por sorte, todos conseguiram voltar vivos. Por outro lado, a ordem econômica que emergiu depois de 1945 pôs o mundo num caminho inexorável em direção ao comércio global. E por fim, a guerra desencadeou o Baby Boom com o seu monstruoso mercado consumidor. E foi por volta de 1972 que o resultado da combinação destes 03 fatores fez do mercado americano o lugar certo para a Hoshino.

Mas por enquanto vamos ficar no Japão; depois da guerra várias empresas, incluindo a Hoshino reconstruíram os seus negócios e uma nova leva de empresas se juntou à onda. A Hoshino tinha a vantagem de já ter experiência com exportações, porém, na maior parte dos anos 50 as guitarras feitas no japão ficavam no japão. Enquanto isso, nos estados unidos os primórdios do rock and roll começaram a inspirar a juventude a comprar guitarras...e as empresas americanas estavam começando a não dar conta.


Em 1957 a Hoshino Gakki produziu o que pode ser considerada a sua primeira guitarra elétrica. Nesta época a Hoshino já tinha conseguido reestabelecer o seu negócio de exportações mandando instrumentos e acessórios para vários pontos da Ásia e até para os Estados Unidos (principalmente palhetas).  Como várias fábricas japonesas na época nem toda guitarra que saia da fábrica tinha o nome Ibanez no headstock, uma vez que para atender os seus clientes internacionais eles fabricavam instrumentos sob várias outras marcas. 

Jumpei Hoshino é o segundo a esquerda na antiga sede da Hoshino Gakki

No final dos anos 50 Yoshitaro se aposenta e o seu filho Jumpei assume a presidência da empresa. Em 1962 Jumpei Hoshino decidiu colocar todas as marcas de guitarras produzidas por eles sob o nome Ibanez e apesar de a companhia ainda fabricar guitarras com as marcas de seus clientes, a Ibanez passou a ser a marca principal. Para estabelecer esta união ele inaugurou uma nova fábrica para construir guitarras e amplificadores sob o nome de Tama Seisakusho Inc., isso mesmo, a hoje mundialmente famosa marca de baterias TAMA começou como uma fábrica da Ibanez e outra curiosidade é que ela tem este nome em homenagem a mãe de Jumpei que se chamava TAMA e havia falecido alguns anos antes. O irmão mais novo de Jumpei, Yoshihiro assumiu a presidência do setor de produção da Hoshino Gakki.


Durante os anos 60 o Japão também sofreu uma efervescência cultural, a música dos Beatles e de outros artistas eram consumidas massivamente e a consolidação da televisão como meio de comunicação fez com que Yoshihiro se tocasse que a partir daquele momento o apelo visual iria se tornar muito importante na indústria da música.

A partir de 1966 a Hoshino decidiu que a Tama Manufacturing Company iria parar de fabricar guitarras e se dedicar apenas a construção de baterias , o que acabou por desenvolver uma  das melhores marcas de baterias do mundo; a construção de guitarras passou a ser feita por fábricas parceiras sob as especificações da Hoshino. Este formato é mantido até hoje na Ibanez e uma sólida parceria foi construída entre a Hoshino e a fábrica Fujigen Gakki para estabelecer a qualidade das guitarras Ibanez.


E foi em 1971 que Yoshihiro Hoshino decidiu dar uma reviravolta no seu mercado de exportações e fazer o que ninguém estava fazendo no japão na época que era diminuir o número de distribuidores dos seus produtos dentro de cada região. Antes desse período tanto a Ibanez como outras empresas japonesas tinham dezenas de distribuidores, cada um com a sua visão particular do negócio e buscando sempre competir em preço. Outro detalhe era que com tantos canais de distribuição ficava muito difícil fazer um controle eficiente que garantisse a qualidade dos produtos. 

Yoshihiro Hoshino atual presidente do Hoshino Gakki Group

Para conseguir chegar lá a Ibanez criou o que eles chamaram de "agências" de distribuição, ou seja, empresas que seriam responsáveis exclusivamente por promover e dar assistência exclusiva aos produtos da Hoshino, estas agências seriam abertas em cada um dos principais mercados exportadores que a Hoshino trabalhava.




O empreendimento foi adotado com sucesso na Europa e o próximo alvo era o mercado americano. Chegar nos Estados Unidos seria um desafio, eles teriam que cortar o fornecimento dos diversos distribuidores que já trabalhavam com a Hoshino e unificar (mais uma vez) todas as marcas que eles produziam sob o nome Ibanez, mas o mais difícil seria encontrar uma empresa com a qual eles pudessem estabelecer uma relação sólida de parceria.


Harry Rosembloom foi decisivo para a Hoshino conseguir trazer a Ibanez para os EUA



Quando os executivos da Hoshino se aproximaram de Harry Rosembloom dono da Elger Company, uma empresa que tinha uma loja de instrumentos e que também fabricava guitarras eles não esperavam ouvir o conselho que receberam uma vez que os outros possíveis distribuidores pareciam só conhecer uma única palavra: preço, preço, preço. Mas Harry fez diferente e disse: "Porque você não fazem guitarras melhores? tenho certeza que as pessoas pagariam mais por uma guitarra melhor" e isso era exatamente o que a Ibanez queria ouvir. Depois de intensas negociações foi fechada a parceria e a Elger company passou a distribuir os produtos da Ibanez nos Estados Unidos. Cerca de 10 anos depois a família Hoshino entrou como sócia da Elger company que se transformou na Hoshino U.S.A.




Este período dos anos 70 coincidiu com a chamada "copy era" ou era das cópias em que várias marcas invadiram o mercado com guitarras, violões e baixos baseados nos modelos clássicos da Fender, Gibson, Martin e Guild entre outras.



Um detalhe muito importante é que a Elger Company como era também uma fábrica de guitarras e tinha todo maquinário ela serviu no começo para revisar todos os instrumentos que chegavam do japão antes de mandá-los para as loja e realizar a assistência técnica nos Estados Unidos. Isto se mostrou um grande diferencial de qualidade pois nenhum outro instrumento importado fazia esta regulagem quando ele chegava ao destino e além do mais, nesta época até os grandes fabricantes estavam um pouco negligentes com relação à qualidade uma vez que elas estavam sob o comando de grandes conglomerados da comunicação que não entendiam muito bem do negócio de instrumentos musicais e suas necessidades específicas, isso deu uma grande vantagem competitiva à Ibanez.




No vídeo acima vocês podem ter um panorama bem geral de como eram as Ibanez antigas.

Durante todos os anos 70 as Ibanez que copiavam outros modelos famosos foram se solidificando no mercado como produtos de boa qualidade e vários músicos começaram a  reconhecer a Ibanez como instrumentos que eram alternativas as marcas pioneiras mas como uma marca que se podia confiar para uso profissional. O exigente público americano estava caindo no gosto da Ibanez.

Não só a Ibanez estava fazendo ótimas cópias mas também estava começando a criar variações dos modelos tradicionais e inovações em acabamentos e ferragens. Não ia demorar muito para os primeiros modelos originais da Ibanez começarem a aparecer a série artist de guitarras com double cutway que parecia uma mistura de uma Les Paul com uma Gibson 335 com corpo sólido, veio em conjunto com a aclamada Iceman; outros designs como a Performer (inspirada na Les Paul) a Roadster (inspirada na Strato) e a série Musician de guitarras e baixos com braços inteiriços (inpirados nos baixos Alembic) apesar de serem nitidamente inspiradas em designs de outras marcas, eram diferentes o suficiente para escapar de quaisquer problemas legais.

CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA LER A PARTE 2 DA REPORTAGEM

O COMEÇO DIFÍCIL DOS ANOS 80 E A GUITARRA QUE MUDOU TUDO, A JEM !!

http://reidalespaul.blogspot.com.br/2013/04/a-historia-da-ibanez-capitulo-2.html









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